http://revistapesquisa.fapesp.br/index.php?art=4095&bd=1&pg=1&lg=
Esse tema é abordado duas vezes na Matriz dos Objetos de Avaliação, conforme descrito a seguir.
"O foco adotado nas etapas anteriores continua em evidência na terceira etapa. Portanto,
são ainda relevantes questões como as que se seguem. Classificar é inerente ao ser humano?
O que distingue as classificações criadas a partir do conhecimento científico daquelas
desenvolvidas com base no senso comum? O que se entende por tipos e gêneros? Quais são
as diferentes percepções de gênero? Qual a concepção de gênero ao referir-se à sexualidade?
Como atribuir aos gêneros características de práticas sociodiscursivas? Que traços
caracterizam os diversos gêneros?"
Veja ainda:
"Na espécie humana, como nos mamíferos em geral, a diferenciação sexual determina-se,
basicamente, em um tipo cromossômico. Esse comando genético determina a produção de
substâncias químicas que definirão o gênero e, então, a sexualidade — os hormônios. Então,
torna-se relevante conhecer a bioquímica que envolve esse aspecto fisiológico."
Veja um trecho do artigo:
"Uma vez sua equipe tratou de uma menina recém-nascida, hoje com 11 anos, que apresentava hiperplasia adrenal congênita, com um clitóris semelhante a um pênis, e tinha sido registrada como menino. Segundo Marlene, os pais escolheram que ela seria homem e não aceitaram a orientação de mudança para o sexo social feminino porque já tinham duas filhas e desejavam um filho. A escolha resultou também de outra razão. “A mãe achava que ser mulher era sinônimo de sofrimento e convivia com a culpa, como o marido dizia, de ter tido uma criança anormal”, conta Marlene. Na cirurgia, os médicos removeram ovários e útero dessa Maria, que terá de tomar hormônio masculino por toda a vida adulta, já que seu organismo não o produz."
Veja ainda o trecho :
"Em uma dessas vertentes, o transexualismo, uma pessoa biologicamente normal tem a convicção de pertencer a outro sexo, sem aceitar seu próprio sexo. “O transexualismo não está associado a questões genéticas”, diz Norma. “É mais um problema de identidade do que de sexualidade.” São os homens que dizem que são mulheres em corpo de homem. O mais famoso transexual brasileiro, Roberta Close, depois de muitas cirurgias para tornar-se mulher, obteve em 2005 o direito de fazer outra certidão de nascimento, mudando o nome de Luís Roberto Gambine Moreira para Roberta Gambine Moreira e o gênero, de masculino para feminino.
O homossexualismo constitui outro universo distante dos distúrbios biológicos. Nesse caso, a identidade de gênero se mantém: são homens ou mulheres que se aceitam como homens ou mulheres e escolhem outros homens ou mulheres como objetos amorosos. Já nos travestis a identidade de sexo é estável, mas a de gênero é flutuante: os travestis sabem que são homens, mas podem às vezes se comportar como mulheres."
Se você gostou do assunto, não deixe de ouvir o programa de rádio que trata desse tema. O link segue abaixo. A entrevista com a pesquisadora ( Drª Berenice) é muito legal, não só pela perspectiva biológica do fenômeno , como também pela visão humana da questão. Recomendo.
http://www.revistapesquisa.fapesp.br/index.php?art=6453&bd=2&pg=1&lg=
Um abraço a todos!
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